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Mostrando postagens de dezembro, 2025

Milho: o grão que atravessou oceanos e virou afeto no Brasil

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                                                       Espigas cultivadas pelo meu pai Antes de ser pamonha, antes de ser canjica, antes de ser bolo, cuscuz, pipoca, curau e broa… o milho foi caminho. O milho nasceu longe daqui. Sua origem está nas antigas civilizações da Mesoamérica, especialmente entre os povos que hoje conhecemos como maias, astecas e outros povos indígenas do atual México e da América Central. Para eles, o milho não era apenas alimento — era criação divina, era matéria da qual o próprio ser humano teria sido feito, segundo seus mitos. O milho era vida. E então o milho cruzou o oceano. Veio nos navios da colonização, misturado às mudas, às sementes, aos animais, às línguas e às dores que formaram o Brasil. Chegou como estrangeiro… mas não ficou assim por muito tempo. O milho encontrou aqui um território generoso, um clima favoráv...

Pequi: o fruto que deveria ser o embaixador do Brasil

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  Frutos colhidos em nosso quintal Se eu tivesse que escolher um único fruto para representar o Brasil diante do mundo, eu não teria dúvida: seria o pequi . Verde por fora, amarelo por dentro — como exatamente a nossa bandeira. Forte, espinhoso, resistente, generoso e marcante. Assim como o povo brasileiro. Assim como a nossa terra. O pequi nasce em uma árvore que não pede licença para existir: ela cresce grande, imponente, profundamente enraizada no chão do Cerrado. Não se dobra facilmente ao vento, não se rende à seca com facilidade, não é frágil. Ela ocupa seu espaço com dignidade. É árvore que impõe respeito pela própria natureza — e talvez por isso o seu fruto também seja assim: não é para qualquer um, não é para consumo apressado, não é para quem não quer aprender. Quem nunca ouviu o aviso: “não morde o pequi!” É preciso comer com cuidado, com atenção, com respeito. O pequi educa o gesto humano. Ele exige tempo, exige presença, exige sensibilidade. Ele ensina que nem tudo pod...